terça-feira, 30 de agosto de 2011

O dom de escrever, falar o que se sente. O dom de sentir.

Aqui é meu espaço.
Aqui falo o que quero e quando eu quero, só isso.  
Não sou escritora e nem tenho essa pretensão. 

Já brinquei de ser poeta, atriz, cantora...
E é isso que faço aqui, brinco de ser escritora. 
Brincadeira séria essa. 

Escrever é um dom de poucos. O dom da palavra seja ela escrita ou dita é maravilhoso, e aprecio os que o detém. Admiro, muito. 

Não digo que tenho esse dom. Talvez um pouco, quem sabe? 
Nunca tive dificuldades de me expressar, falar o que sentia, demonstrar...
Já tive tantas conversas por olhar, tantas palavras trocadas no silêncio de sílabas nunca pronunciadas. 
Quantos abraços já dei e recebi que valeram por mil cartões e ditos de consolo? Vários. Tantos gestos de carinho perdidos em meio ao simples fato de não saber o que dizer. Apenas o coração guiando os movimentos.

Lembro-me de quando me apaixonei pela primeira vez. Sempre fui um poço de romantismo, e que garota não é? Ao menos na adolescência... Escrevi tantas cartas que nunca foram entregues, tantos poemas, e versos, e escritos... todos guardados a sete chaves no íntimo do meu sentir. 

Nunca cheguei a beijar o meu primeiro amor. Mas sempre que me lembro do que senti, sei que ele foi sim, o primeiro a despertar esse sentimento em mim. E não ouso tirar esse título dele. Ele nunca soube o quanto eu o amei, talvez nunca saiba. 

A medida que fui amadurecendo aprendi que as cartas podiam ser sim entregues, e que as vezes não é necessário palavras pra se "dizer" o que se sente. Descobri isso deveras cedo, no alto dos meus quinze anos, acredito. 

Percebi que tinha sido abençoada ou amaldiçoada com o dom de sentir e expandir, expandir sim, pois não consigo guardar pra mim. Se sinto, falo, demonstro.

Benção, porque venho cativando pessoas maravilhosas ao longo da minha vida,  por ser assim. 

Maldição, pois sempre me decepciono achando que as pessoas vão agir da mesma forma comigo. 

É como se eu me esvaísse em sentimentos compartilhados e que nunca voltam, a não ser de forma subentendida. Não dá pra pedir abraços. Não vale a pena mendigar sorrisos. 
Me acostumei a ser assim. Vivo assim... confesso que aos poucos consegui mudar algumas pessoas e fiquei feliz e ao mesmo tempo surpresa ao ouvir um "obrigado" sincero. 

Não é que fico ensinando as pessoas a se abrirem ou demonstraremo o que sentem. Quem sou eu pra fazer isso, afinal? Mas algumas  já me  falaram que o fiz. Involuntariamente, acreditem.
Um namorado certa vez me disse:

"É clichê, mas é verdade... você me ensinou o que é amar, Bárbara. Sou muito grato por isso." 

Nós nem éramos mais namorados.  Isso ficou na minha memória.

O mais intrigante pra mim é que as pessoas que eu esperava que isso acontecesse, aquelas com quem de fato, me esforço pra que aconteça, não acontece nunca. Ao menos não na intensidade e do jeito que queria. Tá, pode ser até que aconteça, mas a minha expectativa é tanta que ofusca. 

Acho que tudo na vida vem como uma lição, e temos que aprender  a lidar com elas. Como diz o poeta:


"Quem não quer sofrer que não ame. Quem não quer viver, que não ame." 
Fernando Pessoa 


E ele tá certo. 

2 comentários:

  1. 'Nunca cheguei a beijar o meu primeiro amor. Mas sempre que me lembro do que senti, sei que ele foi sim o primeiro a despertar esse sentimento em mim. E não ouso tirar esse título dele. Ele nunca soube o quanto eu o amei, talvez nunca saiba.'

    Incrível como sempre encontramos palavras nossas sendo proferidas por outras pessoas. É quase mágico, não é mesmo?
    Mas é neste ponto que eu vejo toda a magia de escrever: a união que este fator provoca, a capacidade que ele tem de unir coisas que parecem totalmente opostas. Já reparou que até o silêncio é cheio de palavras? Pois é... Costumo dizer que tudo o que eu escrevo foi dito no silêncio. Bom, de alguma forma alguém vai ouvir posteriormente. Se vai ser com a mesma intensidade com a qual foi gritado anteriormente, isso só depende do ser em questão. Que ser seria? Isso depende, e depende muito. O silêncio pode ser o próprio ser. as palavras acorrentam de um modo muito mais pesado e machucam muito mais do qualquer adaga. Por isso as vezes o silêncio.
    Por isso o amor disfarçado de indiferença.
    Por isso a invisibilidade opcional.

    E as coisas meio que terminam perdendo o sentido, não é mesmo? Outro poder imensurável dado pelo escrever: confundir ou ensolarar as ideias.

    Bom, só cabe a minha justificativa, e para ela uso as palavras de minha companheira Clarice: 'A palavra é o meu domínio sobre o mundo.'

    Então domina o teu.

    Parabéns =D

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  2. Que bom que gostou. Chega a ser meio estranho se citada, sei que se eu quiser ler algo que publiquei tá tudo aqui a um clique do meu alcance, mas quando é um outro alguém falando por você tudo muda. Como você mesmo disse, é quase mágico!

    É muito bom ouvir de alguém que você admira (admiro muito o jeito como você manipula as palavras, e isso vem desde as agendas trazidas na mochila da Mialle quando ela vinha de Araguaína me ver)um elogio, te falando que você está fazendo direito o que você nem sabe se faz.

    Adorei o comentário. Que bom que gostou!

    Ps. não acredito que teve que escrever tudo outra vez! Fez ficar ainda mais especial. Vou apertar em enviar sem revisar porque sei que tá caindo de sono, como eu estou. rs Espero que esteja tudo lindo. hahaha

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