sábado, 17 de março de 2012

Os livros e seus inexplicáveis encantos.


- Está pronta?

Liesel inclinou um pouco o pescoço, como se pudesse enchergar por cima da porta em seu caminho. Claramente, foi a dica para que ela se abrisse.


- Jesus, Maria...


Ela o disse em voz alta, com as palavras distribuidas por uma sala repleta de ar frio e livros. Livros por toda a parte! Cada parede era provida de estantes apinhadas, mas imaculadas. Mal se conseguia ver a tinta. Havia toda a sorte de estilos e letras diferentes nas lombadas dos livros, pretos, vermelhos, cinzentos, de toda a cor. Era uma das coisas mais lindas que Liesel Meminger já tinha visto.


Deslumbrada, ela sorriu.

A existência de uma sala daquelas!

(...)

- Posso?


A palavra ecoou entre acres e acres de terra deserta, com um piso de madeira.


Os livros estavam a quilômetros de distância.

A mulher fez que sim com a cabeça.

Sim, pode.


A sala foi encolhendo sem parar, até que a menina que roubava livros pôde tocar nas estantes, a poucos passinhos de distância. Correu o dorso da mão pela primeira prateleira, ouvindo o arrastar de suas unhas deslizar pela espinha dorsal de cada livro. Soava como um estrumento, ou como as notas de pés em correria.


Ela usou as duas mãos, passou-as correndo. Uma estante encostada em outra. E riu. Sua voz se espelhava, aguçada na garganta, e quando ela enfim parou e ficou postada no meio do cômodo, passou vários minutos olhando das estantes para os dedos, e de novo para as prateleiras.

Quantos havia sentido?

Andou até o começo e fez tudo denovo, dessa vez muito mais devagar, com a mão virada para a frente, deixando a palma sentir o pequeno obstáculo de cada livro. Parecia magia, parecia beleza, enquanto as linhas vivas de luz brilhavam de um lustre. Em vários momentos Liesel quase puxou um título do lugar, mas não se atreveu a pertubá-los. Eram perfeitos demais.

A Menina que roubava Livros - Markus Zusak


Estou encantada com a leitura desse livro. Tanto que estou lendo lentamente porque simplesmente não quero que ele acabe. Quem já leu, e gostou, sabe do que estou falando. 
Quando li esse trecho, veio a idéia do post. É uma descrição mais que perfeita de como me senti ao entrar na biblioteca de Oxford. Fiquei completamente fascinada, foi uma das coisas mais lindas que já vi na vida, e lendo isso, foi como voltar pra lá... senti tudo outra vez. 
Biblioteca de Oxford - Imagem retirada desse blog aqui

Pena que ao contrário de Liesel, eu não pude tocar os livros... isso não me era permitido, fotos também não, de modo que só me resta a lembrança. 
 

3 comentários:

  1. puta livro bom. mas se vc quer morrer sobre livros, vc precisa ler a sombra do vento. apenas

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  2. Apoiando Fernanda e atestando que, se fosse escolher só um, efetivamente seria a Sombra do Vento.

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