domingo, 26 de janeiro de 2014

And I will love you for a thousand years.

O dia estava chuvoso como estivera dois dias antes quando chegaram ali.  Eles estavam no quarto de hotel,  não muito grande,  mas aconchegante e sútil, perfeito para os dois.  

Dia 03 de Janeiro de 2014. Uma sexta feira que a marcaria para sempre mas ela não fazia ideia. 

Acordou preguiçosa. O quarto abafado com aquecedor ligado no máximo e o barulho das gotas de chuva que batiam na janela de vidro compunham o cenário.  Admirou os passantes na ruela lá fora,  casais apaixonados que mesmo com o clima frio e a chuva que caia, caminhavam de mãos dadas trocando sorrisos e olhares.  Não era de se admirar,  não estavam em um lugar qualquer, estavam na ilha mais romântica do mundo,  no lugar dos casais apaixonados,  na cidade do amor. Cidade que despensa carros,  ônibus,  motos,  ou qualquer outro meio de transporte que não seja bicicleta ou algo fluvial.  Pequena e aconchegante como as casas,  hotéis e estabelecimentos por ali. 

Sabia que precisava sair da cama. Eram suas últimas horas naquele lugar e queria aproveitar ao máximo os últimos momentos.  Tudo estava sendo tão perfeito. A tentação de ficar ali na cama era grande. Nunca estiveram tão próximos, tão apaixonados,  tão ligados. O cheiro do perfume dele ainda pairava no ar úmido.  Ele dormia tranquilo,  admirou-o por uns segundos e lembrou-se que precisavam se apressar,  as horas corriam e ainda tinham que fazer algo antes de partir...

As gotas geladas da chuva fina caiam insistentes sobre eles enquanto caminhavam a procura do porto de gôndolas.  Ele estava inquieto,  confessou estar preocupado de não conseguirem fazer o passeio em uma das famosas embarcações da cidade e que não admitiria não proporcioná-la tal prazer. 

A chuva cessou.  Ela agradeceu silenciosamente a São Pedro pela pausa concedida.  Finalmente encontraram o local,  tomaram o barco e começaram o passeio com um sorridente gondoleiro que apontava os pontos turísticos e datas importantes das construções enquanto os conduzia dentre os famosos canais da charmosa Veneza. 


Ela não bebe vinho.  Mas ele encontrou esse frizante suave que tinha gosto de suco de uva fresca e a fez provar. Ela cedeu.  Apreciaram o vinho e o passeio que foi regado de olhares silenciosos, que incrédulos diziam muito em silêncio.  Fotos foram tiradas,  beijos delicadamente roubados e suspiros de pesar por estar chegando a hora de partir deixados ali,  nas águas verdes por onde passavam.

Houve uma pausa. 

Ele pegou a mão dela e a olhou nos olhos por alguns segundos.  

Ela retribuiu o olhar. 

Ele começou a falar meio que embargando a voz,  meio que procurando as palavras certas e ela começou a se perder em meio a tudo aquilo.  Parte dela suspeitava do que estava acontecendo mas parte apenas achava que ela estava se confundindo.  Foi então que ele enfiou a mão no bolso da jaqueta tirou uma pequena caixa vermelha de veludo e a abriu diante dos olhos dela revelando duas alianças douradas lindas. Então em meio a um sorriso bobo de quem está muito sem jeito ele proferiu:

"Você aceita se casar comigo?"

Ela ficou incrédula por alguns segundos.  Um filme rápido passou diante dos seus olhos. 

Em meio a respiração ofegante o coração acelerado respondeu que sim.  

Eles então trocaram as alianças, com mãos geladas outrora pelo frio, e trêmulas. 


Se beijaram. Ela disse que não estava acreditando e peguntou se aquilo tudo estava mesmo acontecendo. 

Ela queria chorar,  muito.  Mas lembrou-se que certa vez ele lhe dissera que não gostava de vê-la chorando,  mesmo que de alegria, porque isso o deixava aflito e sem saber o que fazer.  
Não queria que ele se sentisse assim.  Não naquele momento tão especial pros dois.  Engoliu o choro.  Uma lágrima teimosa insistiu em cair do seu olho esquerdo,  mas desviou o olhar e a secou rapidamente. 


O passeio chegou ao fim.  Eles deixaram o barco sorridentes.  Ela ainda estava inebriada com tudo que estava acontecendo.  
Mal colocaram os pés para fora da gôndola, a chuva tornou a cair e ela agradeceu mais uma vez silenciosamente a São Pedro pelas lágrimas vindas do céu,  lágrimas que ela se obrigou a conter. 

Escrito ao som de The Piano Guys - A Thousand Years 

3 comentários:

  1. 2014 começou com os DOIS pés direitos, hein? Parabéns, Babi, aposto que você será uma noivinha linda. *-*

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  2. não chorei porque tem algo errado comigo, mas quando eu recebi a notícia eu chorei igual uma idiota, serve? hahahahahahah lindinho demais esse Fayad, ele só finge que não
    <3 vocês dois!

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